O conceito de cirurgia metabólica foi incorporado há cerca de dez (10) anos pela importância de estudos científicos demonstrando que os órgãos envolvidos na cirurgia produziam substâncias hormonais e que a cirurgia na verdade alterava esse equilíbrio hormonal inicial de uma maneira benéfica ao paciente obeso, seja na perda de peso, seja no controle e até na cura de doenças endocrinológicas, como o diabetes, hipercolesterolemia, hiperuricemia e até na hipertensão, parte da síndrome plurimetabólica.
Minimamente invasiva e aplicável para todas as técnicas cirúrgicas, a videolaparoscopia representa uma das maiores evoluções tecnológicas da medicina. No tratamento da obesidade, as cirurgias do gênero se diferenciam da convencional, aberta (laparotomia), em função do acesso utilizado. Na cirurgia aberta, é feito um corte de 10 a 20 centímetros no abdômen do paciente, enquanto na videolaparoscopia são feitas de quatro a sete mini-incisões de 0,5 a 1,2 centímetros cada uma, por onde passam as cânulas e a câmera de vídeo. Das quase 60 mil cirurgias bariátricas realizadas em 2010 no Brasil, 35% foram feitas por videolaparoscopia. A taxa de mortalidade média é de 0,23% – abaixo do índice de 1% estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) –, contra 0,8% a 1% da cirurgia aberta(laparotomia).
Em algumas situações, o cirurgião precisa converter a videolaparoscopia em cirurgia aberta. Essa decisão é baseada em critérios de segurança e só pode ser tomada durante o ato operatório.
Os principais benefícios da cirurgia laparoscópica são:

Elevação níveis de pressão sanguínea nas artérias, o que faz com que o coração tenha que exercer um esforço maior.

O sobrepeso e a obesidade diminuem a capacidade do corpo de utilizar a insulina para controlar os níveis de açúcar no sangue.

A obesidade desencadeia aumento de fluxo sanguíneo regional e isso altera os valores normais da pressão sanguínea.

A hipoventilação alveolar é o principal prejuízo causado à função respiratória pela obesidade.
Quando houver constatação de “intratabilidade clínica da
obesidade” por um endocrinologista
A indicação cirúrgica deve ser baseada na análise de quatro critérios:
As situações abaixo configuram condições adversas à
realização de procedimentos cirúrgicos para o controle da
obesidade:
4.1-Bypass Gástrico (gastroplastia com desvio intestinal em“Y de Roux”)
Estudado desde a década de 60, o by-pass
gástrico é a técnica bariátrica mais praticada no Brasil, correspondendo a
75% das cirurgias realizadas, devido a sua segurança e, principalmente,
sua eficácia. O paciente submetido à cirurgia perde de 70% a 80% do
excesso de peso inicial. Nesse procedimento misto, é feito o grampeamento
de parte do estômago, que reduz o espaço para o alimento, e um desvio do
intestino inicial, que promove o aumento de hormônios que dão saciedade e
diminuem a fome. Essa somatória entre menor ingestão de alimentos e
aumento da saciedade é o que leva ao emagrecimento, além de controlar o
diabetes e outras doenças, como a hipertensão arterial.
Uma curiosidade: a costura do intestino que foi desviado fica com formato
parecido com a letra Y, daí a origem do nome. Roux é o sobrenome do
cirurgião que criou a técnica.
4.2- GASTRECTOMIA VERTICAL
Também conhecida como cirurgia de Sleeve ou gastrectomia em manga de
camisa. Esse procedimento e considerado restritivo e metabólico e nele o
estômago é transformado em um tubo, com capacidade de 80 a 100 mililitros (ml).
Essa intervenção também provoca uma boa perda de peso, comparável à do
by-pass gástrico e maior que a proporcionada pela banda gástrica ajustável.
É um procedimento que já e feito há mais de 20 anos, tem boa eficácia sobre o
controle da hipertensão e de doenças dos lipídeos (colesterol e triglicérides).
Atualmente vem crescendo muito o número de cirurgiões que acreditam nos
resultados desta técnica, inclusive para controle do diabetes. Estima-se que em
pouco tempo será a cirurgia mais feita no Brasil e no mundo.
Os principais riscos da cirurgia bariátrica estão ligados as
complicações agudas após o tratamento cirúrgico. São elas:
1- Embolia pulmonar. Causada pelo desprendimento de um
coágulo, geralmente proveniente de uma veia da perna, que
vai até o pulmão causando entupimento de um vaso
sanguíneo, gerando dor intensa e dificuldade para respirar.
Essa complicação pode ser evitada com uso de meias
elásticas durante a internação, uso de anticoagulante em dose
profilática e o mais importante, mobilização precoce do
paciente.
2- Sangramento no local da cirurgia.
3- Fistulas, que é o extravasamento de líquido de dentro das
alças intestinais para a cavidade abdominal.
Os principais benefícios são:
1- Redução do peso.
2- Melhor controle da glicemia sanguínea.
3- Redução dos níveis de colesterol no sangue.
4- Melhora da hipertensão arterial.
5- Melhora da autoestima do paciente além de outros.
Primeiramente o paciente deve procurar um médico especialista no
tratamento da obesidade e passar por uma avaliação.
O preparo pré-operatório otimiza a segurança e os resultados da
cirurgia bariátrica e metabólica. Solicita-se ao paciente que se
esforce para perder um pouco de peso antes da cirurgia, pois
alguns quilos a menos podem oferecer melhores condições à
anestesia geral e à operação.
Nessa fase, também é obrigatório o preenchimento do documento
Consentimento Informado, no qual o paciente reconhece estar
devidamente informado sobre os benefícios e riscos da cirurgia.
No pré-operatório, o paciente deve realizar uma série de exames,
como endoscopia digestiva, ultrassom abdominal e exames
laboratoriais, além de passar em consulta com os profissionais
obrigatórios: cirurgião, cardiologista, endocrinologista, psicólogo e
nutricionista.
O paciente deve fazer consultas e exames laboratoriais periódicos
no pós-operatório, conforme o tipo de cirurgia e as rotinas
estabelecidas pela equipe responsável. Em caso de comorbidades,
elas devem ser acompanhadas por profissionais especialistas
nessas doenças.
A suplementação de vitaminas é de suma importância para que o
paciente não desenvolva anemia e carências nutricionais.
A maioria das pessoas perde cerca de quatro a oito kilos por mês no primeiro ano após a cirurgia. Você irá perder peso mais rapidamente nos primeiros meses, quando você ainda está em uma dieta líquida ou dieta pastosa. Ao longo do tempo essa perda irá diminuindo e seu organismo encontrará equilíbrio com seu peso mais adequado. Você pode perder metade ou mais de seu peso extra nos primeiros dois anos. Perder peso suficiente após a cirurgia quase sempre acarreta melhora da diabetes tipo 2, hipertensão arterial, apnéia obstrutiva do sono, colesterol alto e doença do refluxo gastroesofágico. Pesando menos, se torna muito mais fácil para você se movimentar e fazer atividades diárias.
A cirurgia da obesidade é uma ferramenta importante no tratamento da obesidade. Entretanto, só a cirurgia não é suficiente para você se manter em um peso ideal. Para alcançar o sucesso, você também precisa programar mudanças importantes na sua dieta e no seu estilo de vida. Assim:
Portanto, pacientes que constantemente programam essas mudanças após a cirurgia, desfrutam de uma taxa de sucesso muito elevada e a menor chance de complicações.
Toda pessoa que pretende se submeter ao tratamento cirúrgico tem que estar ciente dos riscos e conseqüências que ela corre quando sofre uma intervenção cirúrgica deste porte. Alguns destes riscos são graves e você deverá discuti-los com seu cirurgião. Muitas das complicações podem ser diminuídas por medidas de prevenção, onde o próprio paciente e sua equipe médica irão atuar em conjunto.
Um dos graves problemas é a formação de coágulos sanguíneos nas pernas, causando tromboses e embolias. Isso muitas vezes se dá pelo fato de o paciente permanecer acamado por longo tempo. Assim, tão logo possível, ele deverá levantar-se da cama e caminhar. O uso de meias elásticas e de medicação anti-trombose também auxiliam na prevenção dessa grave complicação.
Como em qualquer operação, infecções e hemorragias podem ocorrer. Órgãos como os pulmões podem ser afetados. Diante disso, uma fisioterapeuta irá atuar imediatamente após a operação para tentar evitar infecções pulmonares.
Outros problemas que podem ocorrer durante ou logo após a cirurgia de bypass gástrico são: lesões de órgão durante a cirurgia, como o estômago e intestino, vazamento através dos grampos no estômago ou intestino logo após a cirurgia (isso pode exigir uma cirurgia de emergência), obstruções no trânsito intestinal.
Os riscos ou problemas que podem ocorrer ao longo do tempo são: úlceras e estenoses das anastomoses (locais de emendas no estômago e intestino), hérnias, anemias, deficiências de vitaminas e minerais. A formação de pedras nos rins e vesícula biliar pode ocorrer quando você perder peso rapidamente. Gastrite, azia, vômitos após comer mais do que o novo estômago pode conter, má nutrição, e síndrome de dumping são outras intercorrências.